O regresso às aulas significa voltar aos horários, aos livros, aos trabalhos de casa e a várias horas por dia dentro de uma sala de aula.
Mas existe uma parte desta rotina que muitas vezes passa despercebida: o trabalho constante que os olhos realizam durante uma aula.
Num espaço de poucos minutos, uma criança pode olhar para o professor, ler informação projetada no quadro, baixar os olhos para copiar para o caderno, consultar um livro e voltar novamente a olhar para longe.
Ver bem na escola não significa, portanto, apenas conseguir identificar letras pequenas.
Significa conseguir ver com nitidez, focar a diferentes distâncias e utilizar os dois olhos de forma coordenada, mantendo conforto visual ao longo do dia.
A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que a visão é um dos inputs sensoriais importantes para o desenvolvimento e para os resultados de aprendizagem das crianças em idade escolar.
Do quadro ao caderno: os olhos estão sempre a mudar de distância.
Imagine uma situação perfeitamente normal numa sala de aula.
O professor escreve no quadro. A criança olha para o quadro e lê.
Depois baixa os olhos para o caderno e copia a informação.
Volta a olhar para o professor.
Consulta uma página do manual.
Olha novamente para o quadro.
Este processo repete-se inúmeras vezes.
Para realizar estas tarefas confortavelmente, o sistema visual precisa de se adaptar às diferentes distâncias. Quando olhamos para um objeto próximo, existe um conjunto coordenado de respostas visuais que permite manter a imagem nítida e os dois olhos direcionados para o mesmo ponto.
É por isso que uma criança pode conseguir ver razoavelmente bem ao longe e, ainda assim, sentir desconforto durante tarefas prolongadas de leitura ou escrita.
Da mesma forma, uma criança pode ler perfeitamente um texto colocado perto dos olhos, mas ter dificuldade em distinguir o que está escrito no quadro.
Ver bem ao longe continua a ser fundamental.
Apesar da crescente utilização de computadores e tablets, grande parte da informação numa sala de aula continua a ser apresentada a alguma distância.
O quadro, um projetor, o professor ou uma apresentação numa parede exigem uma boa visão ao longe.
É aqui que alterações como a miopia se tornam particularmente relevantes.
Uma criança míope pode ver perfeitamente o livro ou o telemóvel e ter dificuldade em distinguir aquilo que está mais distante.
Dependendo do grau de miopia, sentar-se nas primeiras filas pode até permitir compensar parcialmente essa dificuldade, fazendo com que o problema passe despercebido durante algum tempo.
Por isso, a capacidade de realizar tarefas próximas sem dificuldade não significa necessariamente que a visão ao longe esteja adequada.
Artigo relacionado: Miopia e desempenho escolar: Porque cada aluno merece a melhor visão.
E ver ao perto?
Livros, fichas, cadernos, computadores e tablets representam uma parte considerável do trabalho escolar.
Para manter uma imagem nítida ao perto, os olhos utilizam um mecanismo denominado acomodação.
Simultaneamente, quando observamos um objeto próximo, os olhos necessitam de se direcionar para esse ponto através da convergência.
Quando existem dificuldades relacionadas com estes mecanismos, algumas pessoas podem sentir a visão desfocada, dores de cabeça ou mesmo uma visão dupla durante a leitura.
Isto ajuda a perceber porque é que uma avaliação visual não deve limitar-se simplesmente à pergunta:
“Consegue ler estas letras?”
O conforto visual necessário para acompanhar várias horas de aulas envolve diferentes capacidades do sistema visual.

Os dois olhos têm de trabalhar em equipa.
A visão é também um trabalho de equipa.
Os dois olhos observam o mundo a partir de posições ligeiramente diferentes e o cérebro integra a informação recebida.
Para realizar tarefas escolares confortavelmente, é importante que exista uma boa coordenação entre os dois olhos.
Uma diferença significativa de visão entre eles, um desalinhamento ocular ou outras alterações podem interferir com a forma como a informação visual é recebida e processada.
É precisamente por isso que os programas de rastreio visual infantil procuram identificar alterações que, numa primeira fase, podem não ser evidentes para a própria criança ou para os pais.
A American Academy of Ophthalmology salienta a importância do rastreio visual ao longo do desenvolvimento infantil para permitir a identificação precoce de problemas visuais.
A OMS publicou igualmente orientações específicas para o rastreio da visão e audição em crianças em idade escolar, reforçando a importância da identificação e do encaminhamento adequado das alterações sensoriais.
Quando ver exige demasiado esforço.
Nem todas as dificuldades visuais se manifestam através da frase “não consigo ver”.
Por vezes, a criança consegue realizar a tarefa, mas necessita de fazer um esforço superior ao desejável.
É uma distinção importante.
Conseguir ler uma página durante alguns minutos não é exatamente o mesmo que conseguir estudar confortavelmente durante uma hora.
Uma dificuldade visual pode manifestar-se através de cansaço, dores de cabeça, necessidade de fazer pausas frequentes ou desconforto durante determinadas tarefas.
A Sociedade Portuguesa de Oftalmologia refere que uma prescrição inadequada pode provocar desconforto e dores de cabeça e alerta também para o facto de uma visão deficiente poder, em determinadas situações, ser confundida com dificuldades de aprendizagem.
No entanto, é igualmente importante não estabelecer a relação inversa de forma automática: uma dificuldade escolar não significa necessariamente que exista um problema de visão.
Aprendizagem, atenção e rendimento escolar dependem de muitos fatores.
O lugar onde a criança se senta também pode dar pistas.
“Na primeira fila vejo bem.”
Esta frase merece atenção.
Uma criança com dificuldade em ver ao longe pode adaptar naturalmente o seu comportamento e procurar ficar mais próxima do quadro.
Da mesma forma, pode pedir para trocar de lugar, copiar pelo caderno de um colega ou aproximar-se de determinados conteúdos.
Estas adaptações podem ajudar momentaneamente, mas não substituem uma avaliação quando existe uma dificuldade persistente.
Mudar a criança de lugar resolve a distância.
Não resolve necessariamente a causa.
E se a criança já usa óculos?
Nesse caso, o início do ano escolar é uma excelente oportunidade para confirmar que continuam adequados à sua rotina.
As crianças crescem, as graduações podem alterar-se e os próprios óculos sofrem bastante no dia a dia.
Mochilas, recreios, educação física, quedas e utilização diária podem provocar pequenos desalinhamentos na armação.
Vale a pena verificar se:
- A graduação continua adequada;
- As lentes estão em bom estado;
- A armação está corretamente ajustada;
- Os óculos não escorregam;
- Não existem riscos significativos nas lentes;
- A criança utiliza os óculos conforme recomendado;
- Continua confortável a ver ao longe e ao perto.
Não basta uma lente ter a graduação correta. A armação também deve manter as lentes corretamente posicionadas em frente aos olhos.
Um segundo par pode ser particularmente útil em idade escolar
Para uma criança que depende diariamente dos óculos, ficar sem eles porque uma armação se partiu ou ficou esquecida pode representar um problema durante o dia escolar.
É aqui que um segundo par pode ter uma utilidade muito prática.
Pode funcionar como par de reserva, ficar disponível para determinadas atividades ou permitir que a criança tenha duas opções adaptadas ao seu quotidiano.
E há também uma dimensão que não deve ser ignorada: as crianças devem sentir-se confortáveis com os óculos que utilizam.
Escolher uma armação de que a criança gosta pode parecer um pequeno detalhe.
Para quem vai utilizá-la todos os dias na escola, pode não ser assim tão pequeno.
Preparar a visão também é preparar o novo ano escolar
No início de setembro verificamos mochilas, compramos cadernos, organizamos horários e preparamos todo o material necessário para o novo ano.
Os óculos merecem fazer parte dessa lista.
Porque entre o quadro, o professor, o caderno, os livros e os ecrãs, os olhos estão entre as ferramentas que uma criança mais utiliza durante um dia de escola.
Na Fábrica dos Óculos – A Original, pode verificar o estado e o ajuste dos óculos da criança e encontrar soluções de lentes oftálmicas HOYA adequadas às suas necessidades visuais e à rotina escolar.
E durante o mês de setembro, na compra de uns óculos graduados com antirreflexo para crianças e jovens até aos 18 anos, recebe um vale até 69€ para um segundo par.
Porque começar um novo ano a ver bem é importante.
E estar preparado para o acompanhar também.


