Visão infantil antes do regresso às aulas sinais a que os pais devem estar atentos

Visão infantil antes do regresso às aulas: sinais a que os pais devem estar atentos.

Aproximar-se demasiado dos ecrãs, semicerrar os olhos ou sentir dores de cabeça pode indicar uma dificuldade visual. Conheça os sinais a observar antes do regresso às aulas.

O regresso às aulas traz novamente muitas horas de leitura, escrita, utilização de computadores e observação do quadro. Para acompanhar estas tarefas, a criança precisa de ver com nitidez ao longe e ao perto, coordenar os dois olhos e mudar o foco entre diferentes distâncias.

Uma dificuldade visual não detetada pode tornar as atividades escolares mais cansativas. A criança pode demorar mais tempo a copiar, perder-se durante a leitura ou evitar tarefas que exigem concentração visual.

O problema é que nem sempre sabe explicar que não vê bem. Para muitas crianças, aquela foi sempre a sua forma de ver e, por isso, não existe um termo de comparação.

A segunda metade de agosto é, assim, uma boa altura para os pais estarem atentos e observarem alguns comportamentos, e confirmarem se os óculos continuam adequados antes do início do novo ano escolar.

As crianças nem sempre se queixam de ver mal.

Quando apenas um dos olhos apresenta uma dificuldade visual, o outro pode compensar parcialmente. A criança continua a brincar, a movimentar-se e a realizar muitas tarefas sem perceber que existe uma diferença entre os dois olhos.

American Association for Pediatric Ophthalmology and Strabismus explica que a ambliopia, conhecida como “olho preguiçoso”, pode ser difícil de identificar em casa porque a criança utiliza preferencialmente o olho que vê melhor. O olho com menor visão pode até apresentar um aspeto completamente normal.

Por este motivo, a ausência de queixas não significa necessariamente que a visão esteja perfeita.

Em Portugal, o rastreio de saúde visual infantil promovido pelo SNS procura identificar precocemente crianças com possíveis alterações. Quando existe um resultado suspeito, sintomas ou fatores de risco, pode ser necessária uma avaliação mais completa.

10 sinais a que os pais devem estar atentos.

Um comportamento isolado não confirma a existência de um problema visual. Contudo, a repetição ou combinação de vários sinais justifica atenção.

avaliar a visão infantil antes do regresso à aulas

1. Aproxima-se demasiado dos livros ou ecrãs

Sentar-se muito perto da televisão, aproximar o rosto do tablet ou colocar o caderno quase encostado aos olhos pode indicar dificuldade em ver ao longe ou necessidade de aproximar os objetos para obter maior nitidez.

2. Semicerra os olhos

Ao semicerrar os olhos, a criança reduz temporariamente a entrada de raios de luz mais dispersos e pode sentir uma ligeira melhoria na nitidez. Este comportamento pode surgir perante miopia, astigmatismo ou outros erros refrativos.

3. Inclina ou roda frequentemente a cabeça

Uma posição invulgar da cabeça, sobretudo quando se repete ao ver televisão, ler ou observar objetos, pode ser uma tentativa de utilizar mais um dos olhos ou encontrar uma posição em que a imagem pareça mais nítida.

4. Fecha ou tapa um dos olhos

Fechar um olho durante a leitura, ao olhar para o quadro ou em ambientes muito luminosos pode estar relacionado com diferenças de visão entre os olhos, desalinhamento ocular ou dificuldades na utilização conjunta dos dois olhos.

5. Perde-se ou salta linhas durante a leitura

A criança pode utilizar o dedo para não perder a linha, reler frequentemente a mesma frase ou saltar palavras. Estes comportamentos podem ter várias explicações, mas justificam uma avaliação quando são persistentes.

6. Tem dores de cabeça depois das tarefas escolares

Dores de cabeça frequentes, sobretudo ao final do dia ou depois de ler, desenhar e utilizar o computador, podem estar associadas a esforço visual. No entanto, também podem ter outras causas e não devem ser atribuídas automaticamente à visão.

7. Esfrega muito os olhos ou pisca excessivamente

Esfregar os olhos, piscar repetidamente, apresentar vermelhidão ou queixar-se de ardor pode indicar cansaço visual, alergia, secura ou irritação. Quando estes sintomas persistem, devem ser avaliados.

8. Tem dificuldade em copiar do quadro

Copiar lentamente, pedir ajuda ao colega, trocar palavras ou perder frequentemente a posição entre o quadro e o caderno pode revelar dificuldade em ver ao longe ou em alternar o foco entre diferentes distâncias.

9. Evita ler, desenhar ou fazer trabalhos de perto

Nem sempre a criança diz que vê desfocado. Pode simplesmente perder o interesse, tornar-se irrequieta ou tentar terminar rapidamente uma tarefa que lhe provoca desconforto.

10. Um dos olhos desvia-se

Um olho que se desvia para dentro, para fora, para cima ou para baixo, mesmo que apenas ocasionalmente, deve ser observado. O estrabismo pode afetar o desenvolvimento visual e contribuir para a ambliopia.

Sociedade Portuguesa de Oftalmologia inclui entre os sinais indiretos a aproximação aos ecrãs, o semicerrar dos olhos, as dores de cabeça, as dificuldades nas tarefas e a perda de linhas durante a leitura.

Que alterações visuais podem estar por detrás destes sinais?

Em idade escolar, algumas das situações mais frequentes incluem:

  • Miopia: provoca maior dificuldade em ver ao longe, nomeadamente o quadro, sinais, legendas ou rostos à distância;
  • Hipermetropia: pode exigir um esforço acrescido de focagem, especialmente nas tarefas realizadas ao perto;
  • Astigmatismo: pode causar visão desfocada ou distorcida a diferentes distâncias;
  • Ambliopia: corresponde a um desenvolvimento insuficiente da visão num ou nos dois olhos;
  • Estrabismo: ocorre quando os olhos não permanecem corretamente alinhados;
  • Dificuldades de convergência: podem provocar cansaço, visão dupla, dores de cabeça ou perda de concentração durante a leitura.

Os sintomas podem ser semelhantes e não permitem identificar a causa apenas pela observação dos pais. É a avaliação visual que determina se existe uma alteração e qual a orientação adequada.

Uma dificuldade escolar não significa necessariamente um problema visual.

A visão tem um papel importante na aprendizagem, mas não explica todas as dificuldades de leitura, atenção ou rendimento escolar.

Problemas emocionais, perturbações da aprendizagem, sono insuficiente, dificuldades de concentração e outros fatores também podem influenciar o desempenho.

A dislexia, por exemplo, não é causada por uma alteração dos olhos. A American Association for Pediatric Ophthalmology and Strabismus esclarece que se trata de uma dificuldade de aprendizagem relacionada com a linguagem e não de uma doença visual.

Uma avaliação pode excluir ou identificar problemas que estejam a dificultar a leitura, mas não deve substituir uma investigação pedagógica, psicológica ou médica quando existirem outras suspeitas.

O regresso às aulas é uma boa altura para verificar os óculos.

Se a criança já utiliza óculos, observe se:

  • As lentes estão riscadas ou apresentam manchas permanentes;
  • A armação fica torta ou escorrega constantemente;
  • As hastes estão demasiado abertas;
  • Os óculos deixam marcas desconfortáveis;
  • A criança olha por cima das lentes;
  • Começou novamente a aproximar-se dos objetos;
  • A graduação não é verificada há algum tempo;
  • Evita usar os óculos ou diz que já não vê bem com eles.

Uma armação infantil deve manter as lentes corretamente posicionadas, sem apertar e sem escorregar. Uma lente com a graduação adequada perde parte da sua utilidade quando os óculos ficam constantemente desalinhados.

Antes do início das aulas, pode ser útil verificar o estado da armação, o ajuste, a limpeza das lentes e a existência de sinais de desgaste.

Ecrãs, trabalho ao perto e tempo no exterior.

Os ecrãs não são a única causa de desconforto visual. Ler, desenhar ou realizar qualquer tarefa muito próxima durante longos períodos também exige esforço de focagem.

Alguns hábitos podem ajudar:

  • Fazer pausas regulares nas atividades de visão próxima;
  • Alternar o olhar entre perto e longe;
  • Manter uma distância confortável dos livros e ecrãs;
  • Utilizar iluminação adequada;
  • Evitar estudar com o rosto demasiado próximo da secretária;
  • Ajustar o tamanho dos textos nos dispositivos;
  • Incentivar atividades ao ar livre durante o dia.

Organização Mundial da Saúde refere que o trabalho próximo prolongado e a redução do tempo passado no exterior estão associados ao desenvolvimento e à progressão da miopia. A organização destaca o benefício de as crianças passarem regularmente tempo ao ar livre durante o dia.

Estar no exterior não elimina a necessidade de óculos nem substitui o acompanhamento profissional, mas constitui um hábito importante para a saúde e o desenvolvimento infantil.

Quando a miopia está a aumentar.

A miopia manifesta-se principalmente através da dificuldade em ver objetos distantes. A criança pode aproximar-se do quadro, semicerrar os olhos ou dizer que as letras ficam desfocadas quando está sentada mais atrás.

Como a graduação pode mudar durante o crescimento, não basta corrigir a visão uma única vez. É importante acompanhar a sua evolução e perceber se a miopia está a progredir.

Quando existe miopia infantil progressiva, podem ser consideradas soluções específicas para a sua gestão. Entre as opções disponíveis encontram-se as lentes oftálmicas MiYOSMART da HOYA, desenvolvidas para corrigir a visão e ajudar a abrandar a progressão da miopia através da tecnologia D.I.M.S.

HOYA Vision Care refere que estas lentes constituem uma solução não invasiva destinada a crianças com miopia. Contudo, a sua utilização depende sempre da avaliação da criança, da evolução da graduação e da recomendação de um profissional habilitado. Nem todas as crianças necessitam da mesma solução.

Aertigo relacionado: Miopia e desempenho escolar: porque cada aluno merece a melhor visão.

Quando deve procurar uma avaliação com maior urgência?

Alguns sinais não devem esperar pelo início das aulas. Procure aconselhamento médico se a criança apresentar:

  • Perda súbita ou redução acentuada da visão;
  • Dor ocular intensa;
  • Visão dupla de aparecimento recente;
  • Sensibilidade anormal à luz;
  • Um olho subitamente desviado;
  • Pupilas com aspeto ou tamanho muito diferente;
  • Reflexo branco numa pupila, especialmente em fotografias;
  • Lesão ocular ou contacto com um produto químico;
  • Vermelhidão intensa acompanhada por dor ou alteração da visão;
  • Clarões, manchas súbitas ou uma sombra no campo visual.

Estes sinais não significam necessariamente que exista uma doença grave, mas justificam uma observação rápida por um profissional de saúde.

Preparar os olhos também faz parte do regresso às aulas.

Mochila, livros, material escolar e horários costumam ocupar a atenção das famílias durante agosto. A visão também merece fazer parte dessa preparação.

Observar o comportamento da criança, verificar o estado dos óculos e não ignorar dificuldades persistentes pode ajudar a identificar alterações antes de estas começarem a interferir no dia a dia escolar.

Na Fábrica dos Óculos – A Original, encontra acompanhamento personalizado para verificar os óculos da criança e selecionar lentes oftálmicas HOYA adequadas à sua graduação, idade e rotina, sempre de acordo com as necessidades identificadas na avaliação visual.

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